quarta-feira, 14 de março de 2012

Eu tinha o céu debaixo dos meus pés ...

Eu tinha o céu debaixo dos meus pés cansados. A mente flutuava muito além das nuvens e eu via o mundo diminuir sob meus olhos, esconder-se de tão pequeno. Meu Deus! – pensei – como somos insignificantes. Não havia nada além de mim e do mundo capaz de me ver e me deixei chover naquele céu tão azul. Afundei meu peito nas grades do infinito azul, mirei minhas mãos para o alto e tentei moldar com lágrimas cada espaço em branco que ali existia. Como se eu pudesse apalpar o mundo, como se eu conseguisse por um instante tocar todas as futilidades mundanas com um simples toque. Deixei que meus pés fossem estraçalhados pela canseira de ser só, tão eu comigo, tão cheio e ao mesmo tempo vazio. Completamente vazio e sozinho e voando. Tão longe e tão próximo de tudo. Tão cheio de certezas e tão cheio de vontades, mas cheio de dúvidas e de medos. E se eu despencasse? Quanto tempo levaria até eu colidir? Quanto doeria e quanto eu seria capaz de suportar? Eu seria capaz de suportar? Eu não sei. Não entendo. Mas rezo pra não cair. Peço aos quatro ventos que me façam flutuar, que minhas asas não se partam ao meio. E que toda a tolice de querer ser o superman se converta em imaginação. Sim, eu agüento, não sei até quando. Posso cair das nuvens e num segundo levantar mais forte. Porque não me assusto fácil. O tombo nunca me calou. O que me quebra é a rotina. As asas me apóiam, enquanto as pernas só vacilam.  

Um comentário:

  1. O meu pranto escondeu as sílabas de uma palavra
    O meu céu não precisa de Sol para ser azul
    A minha emoção transbordou nesta clara manhã
    Tal como as incontidas águas que correm para sul

    Este Inverno que o meu querer instaurou
    Tem o rosto coberto por densa bruma
    Tem a força de todas as marés esta emoção
    Que devolvi hoje à espuma

    Doce beijo

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